Javier, um chileno que veio para ficar

Javier, à princípio, não tem nada de incomum. Mas quando começa a falar sobre o país que nasceu, a sua cidade, a cultura de seu povo, ele se transforma, parece ficar até mais jovem.

Chileno nascido em Quilpué (a 125km de Santiago), veio para o Brasil por uma mulher nos anos 2000. O relacionamento terminou, mas ele ficou “foi a pior melhor coisa que eu já fiz”, afirma rindo, com um sotaque pesadíssimo. Apesar de rir bastante, o seu período de adaptação não foi fácil. “O tempero brasileiro é bem diferente, não consegui acostumar. Até hoje me pica muito (expressão chilena para comida apimentada)”, reconhece.

Nos primeiros dias sozinho em São Paulo, chegou a comer praticamente fast food, até conseguir encontrar um mercadinho que vendia avocado, uma fruta parente do abacate extremamente utilizada na culinária chilena. Conversando com outros frequentadores do mercadinho, descobriu onde comprar outros ingredientes para fazer mote com huesillos, muito tomado como refresco durante o verão.

Daí foi um passo para começar a preparar para seus amigos e incrementar cada vez mais os seus pratos. “Estava cozinhando de vez em quando para amigos, principalmente do trabalho em festividades, sempre pediam pra levar algo, quando conheci um outro chileno, amigo de um colega de trabalho meu. Ja, foi amor à primeira vista (risos), conversamos a noite inteira na festa e combinamos de marcar algo. No dia, fiz uma ensalada de avocado com cazuela chilena e preparei mote com huesillos. Ele faltou chorar”.

A conversa no almoço fluiu das saudades de casa para o alto preço cobrado por restaurantes típicos, que investiam em pratos refinadíssimos e deixavam de lado o gosto das refeições caseiras. “Pensamos bastante, chegamos a fazer alguns cursos do SEBRAE para abrirmos nosso próprio restaurante, mas os custos eram incompatíveis com as nossas possibilidades”, desabafa Javier.

“Nunca havia pensado em comer abacate em pratos salgados! Vou levar para a vida essa possibilidade” Lucas, visitante de Javier.

 

Se a situação era difícil, piorou quando seu futuro sócio voltou para o Chile para cuidar de problemas pessoais. “Estava desistindo quando vi um anúncio no Facebook e pensei ‘porque não?’. Duas semanas depois de me cadastrar realizei meu primeiro jantar e desde então não parei mais”.

 

Quando perguntamos sobre o restaurante, Javier deu um sorrisinho de canto de boca “Um dia, um dia” promete, enquanto nos despedimos.

 


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